Empresa suspende linhas para Bujari e Senador Guiomard a partir de 4 de novembro por dificuldades financeiras e espera contrapartida do Estado para manter a operação e preservar empregos.
Depois de anos transportando passageiros no Acre, a Trans Acreana deixará de operar, a partir de 4 de novembro, nas linhas Rio Branco–Bujari e Rio Branco–Senador Guiomard. Segundo Francisco Mendes, chefe de transportes da empresa, a decisão foi motivada pelo aumento dos custos operacionais, pela queda na arrecadação e pela falta de contrapartida financeira para custear as gratuidades.
Em abril de 2026, a empresa encaminhou um ofício à Agência Reguladora dos Serviços Públicos do Estado do Acre (Ageac), comunicando a necessidade de suspender linhas deficitárias. Desde então, segundo Mendes, a situação se agravou, tornando a operação financeiramente insustentável.
De acordo com Francisco, o número de passageiros que pagam passagem é inferior ao de usuários que têm direito à gratuidade, como idosos e pessoas com deficiência. Mesmo obrigada a atender esse público, a Trans Acreana diz não receber subsídio estadual para compensar os custos do serviço intermunicipal.
A empresa também aponta a concorrência com táxis-lotação, transportes clandestinos e serviços por aplicativo, que, segundo ele, não estão sujeitos às mesmas obrigações relacionadas às gratuidades.
O alerta vai além das duas linhas. Mendes afirma que, se não houver mudanças, outras rotas poderão ser suspensas. A consequência preocupa não apenas os passageiros que dependem do transporte para trabalhar, estudar e buscar atendimento médico, mas também os trabalhadores que sustentam suas famílias com os empregos gerados pela empresa de transportes terrestres Trans Acreana.
Caso a situação se agrave a ponto de comprometer a permanência da empresa no Acre, pais e mães de família poderão ficar desempregados, ampliando o impacto social da crise.
Diante desse cenário, a Trans Acreana espera que o governo do Estado abra diálogo para construir uma contrapartida financeira que ajude a custear as gratuidades e permita a continuidade do serviço.
A questão vai além da situação financeira de uma empresa. Está em jogo a manutenção de linhas intermunicipais, o direito de ir e vir da população e a preservação de empregos. Sem uma solução, a suspensão de duas linhas poderá ser apenas o começo de um problema ainda maior para o transporte de passageiros no Acre.





