Rio Branco, AC, 1 de setembro de 2026 16:06
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Elzinha Mendonça cobra políticas de saúde mental e alerta para aumento da vulnerabilidade entre jovens no Acre

A vereadora Elzinha Mendonça (PP) levou à tribuna da Câmara de Rio Branco, durante a sessão desta terça-feira, dia 2, um alerta sobre a importância da prevenção ao suicídio, do cuidado com a saúde mental e da valorização da vida. Ao abordar o Setembro Amarelo, a parlamentar defendeu que o tema seja tratado como uma responsabilidade permanente do poder público e da sociedade, e não apenas como uma campanha durante o mês de setembro.

Elzinha afirmou em seu discurso que a mobilização não pode ficar restrita ao uso do laço amarelo, a publicações nas redes sociais ou a mensagens de conscientização. “Setembro Amarelo precisa ser um chamado à responsabilidade”, declarou.

A vereadora citou dados da Polícia Civil do Acre segundo os quais 93 suicídios foram registrados no estado em 2024. Segundo os números apresentados por Elzinha, 62,37% das vítimas tinham entre 18 e 39 anos, faixa etária que concentra jovens e adultos em uma fase marcada por desafios pessoais, profissionais e familiares.

Para a parlamentar, os números precisam ser analisados para além das estatísticas. “Não estamos falando apenas de estatísticas. Estamos falando de vidas.”

“Prevenir é perceber”

Elzinha destacou que a prevenção não deve começar somente quando uma pessoa chega a uma situação extrema. Para ela, familiares, amigos, escolas e instituições precisam estar atentos a mudanças de comportamento e sinais de sofrimento emocional.

A vereadora defendeu atitudes simples, como perguntar se alguém está bem e, principalmente, estar disposto a ouvir. “Às vezes, uma pessoa não precisa de um grande discurso. Ela precisa de alguém que sente ao seu lado e diga: ‘Eu estou aqui. Você não precisa passar por isso sozinho’.”

Elzinha também chamou atenção para a necessidade de ampliar e fortalecer as políticas públicas de saúde mental, com mais acesso a atendimento psicológico e psiquiátrico e o fortalecimento da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS).

Segundo ela, o enfrentamento do problema exige uma atuação integrada entre diferentes áreas do poder público. “Falar de saúde mental também é falar de educação, assistência social, segurança, trabalho, inclusão e dignidade.”

Outro ponto destacado pela vereadora foi a vulnerabilidade da população jovem. Elzinha afirmou que uma geração está submetida a diferentes formas de pressão, envolvendo questões financeiras, profissionais, familiares, sociais e relacionadas à aparência.

Ela também citou o paradoxo de uma sociedade cada vez mais conectada, mas na qual muitas pessoas ainda enfrentam sentimentos de solidão. “Uma geração conectada o tempo inteiro, mas que muitas vezes se sente profundamente sozinha”, afirmou.

Na avaliação da parlamentar, escolas e famílias precisam estar preparadas para reconhecer sinais de sofrimento e oferecer acolhimento, enquanto os serviços públicos devem ter estrutura suficiente para atender pessoas em situação de crise.

No encerramento do pronunciamento, Elzinha dirigiu uma mensagem às pessoas que eventualmente estejam atravessando um período de sofrimento emocional.

A vereadora afirmou que ninguém precisa solucionar todos os problemas de uma só vez e incentivou a busca por ajuda. “Você não precisa resolver toda a sua vida hoje. Às vezes, é preciso apenas atravessar este dia. Depois, atravessar o próximo. E buscar ajuda.”

Ela também defendeu que pedir ajuda seja encarado como um ato de coragem, e não de fraqueza. Ao concluir, Elzinha reforçou que o debate sobre prevenção ao suicídio não deve terminar com o Setembro Amarelo. “Cada vida importa. Cada pessoa importa. Cada pedido de ajuda importa.”