Rio Branco, AC, 1 de setembro de 2026 16:33
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Revelações da PF sobre o envolvimento de Alxandre de Moares no caso Master são devastadoras

O Brasil possui 1,4 milhão de advogados inscritos regularmente na Ordem dos Advogados do Brasil.

Deste universo todo Daniel Vorcaro, então dono do Banco Master, escolheu a dedo o escritório da advogada Viviane Barci de Moraes para contratar serviços jurídicos e consultoria estratégica no valor de R$ 131 milhões de reais. O contrato era de três anos.

Invejosos diriam que o grande mérito de Barci era ser esposa de Alexandre de Moraes, o todo-poderoso ministro do Supremo Tribunal Federal responsável por mandar boa parte do governo Jair Bolsonaro, entre eles o próprio, para a cadeia – outra boa parte estava sendo comprada por Vorcaro.

Se alguém desconfiava que o contrato parrudo serviria para o banqueiro se aproximar do magistrado, não desconfia mais.

Relatório da Polícia Federal tornado público nesta terça-feira (1º) mostra que o acordo foi fechado após uma série de encontros de Vorcaro com Moraes – todos intermediados pelo ex-ministro de Bolsonaro Fabio Faria, o grande elo do Master com o mundo político (e, sabe-se agora, jurídico) de Brasília.

Moraes tem as digitais até mesmo na formulação do contrato, analisado por ele no escritório da esposa antes do envio para assinatura.

O vaivém resultou numa amizade improvável.

A ponto de Vorcaro, já suficientemente enroscado com a polícia por promover a maior fraude bancária da história, se consultar com o ministro sobre em que momento deveria dar o pé do Brasil para fugir da prisão.

“Acha que segunda já tenho que estar fora?”, escreveu Vorcaro, em 15 de novembro de 2025, ao contatinho.

Dois dias depois, a PF prendeu Vorcaro no Aeroporto Internacional de São Paulo. Ele tentava embarcar em um jato particular com destino aos Emirados Árabes Unidos e escala em Malta. De lá, ele sonhava em fechar as pontas do acordo para vender o Banco Master, um Marea usado, para o Banco de Brasília, controlado pelo governo do Distrito Federal, então comandado por Ibaneis Rocha.

Vorcaro só não concretizou os planos porque os investigadores sentiram o cheiro da fuga e agiram. 

Àquela altura, o banqueiro estava tão íntimo que não corava em pedir para o ministro tentar “alguma coisa” com os chefes da Polícia Federal e da Procuradoria Geral da República.

A troca de mensagens entre Vorcaro e Moraes é um dos muitos sinais apontados pela PF de que o ministro transmitia ao investigado spoilers do avanço da Operação Compliance Zero.

Como conselho não é de graça, ninguém acredita que só um deles tenha sido beneficiado na relação. A suspeita principal é que o acesso à área VIP do Supremo tenha custado R$ 131 milhões.

É grave? Grave é andar de carro por aí sem cinto de segurança.

Do momento em que Moraes aceitou se encontrar com um banqueiro investigado ao instante em que foi acionado com um pedido de socorro, o ministro já deveria ter tirado a toga e assumido outra função na vida profissional. Como não fez, não poderia passar nem perto de qualquer decisão do caso Master. 

Todo mundo sabia que havia sinais de fumaça desde que o contrato entre o Master e o escritório de Barci foi revelado. O jogo seguiu e o que vem à tona agora é uma bomba atômica que desaboa tudo o que Moraes fizer daqui em diante.

Em qualquer lugar do mundo alguém com metade do envolvimento num caso assim já teria renunciado ao posto há algum tempo.