Rio Branco, AC, 3 de setembro de 2026 17:26
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Alan Rick leva pesquisa AtlasIntel ao TRE, barra divulgação e coordenação de Mailza diz que candidato age “com dois pesos e duas medidas”

A disputa pelo Governo do Acre ganhou uma nova frente de batalha — e, desta vez, o adversário não está em outro palanque, mas nas urnas de uma pesquisa eleitoral. A coligação de Alan Rick (Republicanos) conseguiu suspender a divulgação de um novo levantamento da AtlasIntel, previsto para esta sexta-feira, 4, e colocou sob suspeita os procedimentos utilizados pelo instituto na coleta das entrevistas.

A coordenação de campanha da candidata Mailza Assis reagiu e disse que o candidato do Republicanos age com dois pesos e duas medidas diante da divulgação dos números de pesquisa, silenciando quando os números o favorecem e adotando medidas judiciais quando a a governadora que disputa a reeleição figura como a líder na preferência do eleitorado do Acre.

A decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Acre impede, por enquanto, que os números cheguem ao eleitor. O desembargador Roberto Barros, juiz auxiliar da propaganda eleitoral, determinou que a AtlasIntel esclareça questionamentos sobre o período de coleta e apresente registros técnicos capazes de comprovar como os dados foram obtidos.

O caso ganhou força depois que a representação apresentada pela coligação mostrou vídeos nos quais a plataforma da AtlasIntel aparece recebendo respostas nos dias 27 e 28 de agosto. O registro oficial da pesquisa, porém, indicava o início da coleta somente no dia 29.

Diante da divergência, o magistrado apontou a existência de uma “dúvida razoável” e determinou a preservação dos registros eletrônicos. A empresa terá dois dias para apresentar informações auditáveis sobre a base estatística, as sessões realizadas nos dias questionados e as versões do questionário utilizado.

Mas há uma ressalva fundamental: a Justiça Eleitoral não declarou fraude na pesquisa. A decisão é preliminar e serve justamente para esclarecer se houve ou não irregularidade.

A nova AtlasIntel desperta interesse porque a rodada anterior do instituto já havia provocado reação da campanha de Alan Rick.

Naquele levantamento, Mailza Assis apareceu com 35,2% das intenções de voto, enquanto Alan Rick tinha 33,1%. A nova pesquisa, contratada pelo ac24horas, poderia apresentar uma fotografia diferente da corrida eleitoral, mas os números agora estão temporariamente impedidos de serem divulgados.

É justamente aí que a disputa deixa de ser apenas técnica e ganha contornos políticos. A campanha de Alan Rick vem contestando, nos últimos meses, levantamentos que apresentam resultados desfavoráveis ao candidato. Em junho, o Republicanos também recorreu à Justiça Eleitoral contra uma pesquisa do Instituto Veritá, alegando problemas metodológicos. Na ocasião, porém, o pedido de liminar para impedir a divulgação foi negado.

Ao comentar a AtlasIntel anterior, o candidato classificou a metodologia como “no mínimo, curiosa” e afirmou que o levantamento estaria restrito a uma “bolha”.

A Data Control também foi questionada depois de divulgar números que colocavam Mailza à frente, com 34%, contra 27% de Alan. Ao ser perguntado sobre o resultado, o candidato respondeu: “Tu acredita nessa pesquisa?”

Outro instituto, o Novo Perfil, também já foi alvo de críticas.

O discurso, entretanto, muda quando a fotografia eleitoral é favorável ao republicano. Em levantamentos nos quais aparece na dianteira, Alan já defendeu o respeito às pesquisas de “metodologia séria” e afirmou reconhecer a validade dos institutos.

É essa mudança de postura que alimenta a principal leitura política do episódio: para a campanha, a credibilidade da pesquisa parece ganhar peso diferente conforme o resultado apresentado.

Do ponto de vista jurídico, a questão agora é objetiva: saber se a AtlasIntel consegue demonstrar que a coleta respeitou exatamente os procedimentos informados no registro oficial.

Se os dados apresentados pelo instituto esclarecerem as dúvidas levantadas, a pesquisa poderá voltar a ser analisada pela Justiça Eleitoral. Se forem encontradas inconsistências relevantes, caberá ao TRE decidir quais medidas deverão ser adotadas.