Rio Branco, AC, 14 de julho de 2026 01:01
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A força feminina ao volante: quando a oportunidade transforma histórias e rompe paradigmas

Ao longo da evolução da sociedade, muitas conquistas femininas nasceram da coragem de mulheres que ousaram desafiar preconceitos e de pessoas que acreditaram em sua capacidade. No transporte coletivo urbano, um ambiente historicamente ocupado por homens, essa transformação também aconteceu, construída com profissionalismo, competência e determinação.

Tenho a honra de ter participado de um desses momentos históricos.

No início da década de 1990, quando exercia função de liderança na Viação Aquiri, em Rio Branco, decidi apostar na capacidade técnica de uma mulher para assumir o volante de um ônibus coletivo. Em 1992, contratamos Jove Ferreira Talon, tornando-se a primeira mulher motorista de ônibus do Estado do Acre.

Naquele período, a decisão foi recebida com surpresa por muitos. Existiam dúvidas, receios e até preconceitos sobre a presença feminina em uma profissão considerada exclusivamentef masculina.

Mas eu sempre acreditei que competência nãof possui gênero.

Possui preparo, responsabilidade, disciplina, coragem e dedicação.

E foi exatamente isso que Jove demonstrou desde o primeiro dia de trabalho.

Sua atuação abriu portas para uma verdadeira transformação dentro do transporte coletivo acreano. Nos anos seguintes, dezenas de mulheres passaram a integrar nossas equipes operacionais, exercendo suas funções com elevado padrão de profissionalismo.

Mais tarde, outra profissional marcaria essa trajetória: Solange Dias, que também conquistou espaço ao volante dos ônibus, tornando-se referência pela qualidade do seu trabalho. Posteriormente, construiu uma sólida carreira pública, foi vereadora em Senador Guiomard e, anos depois, graduou-se em Medicina, demonstrando que o talento aliado ao esforço pode conduzir qualquer pessoa aos mais altos objetivos.

Em 2004, quando exercia a função de Gerente de Operações do Grupo Real Norte, essa experiência ganhou repercussão estadual. O Jornal Página 20 publicou reportagem destacando nossa política de valorização da mulher no transporte coletivo, registrando a meta de ampliar significativamente a participação feminina entre os motoristas da empresa.

Naquele momento, reafirmei aquilo que continuo defendendo até hoje: oferecer oportunidades com igualdade produz resultados extraordinários.

E os resultados apareceram.

As mulheres conquistaram o respeito dos passageiros, destacaram-se pela condução segura, pelo equilíbrio emocional, pelo atendimento humanizado e pelo compromisso com a qualidade dos serviços prestados.

Desde então, inúmeras outras mulheres passaram a integrar o sistema de transporte coletivo do Acre, contribuindo para modernizar e humanizar um dos serviços públicos mais importantes para a população.

Hoje essa realidade está consolidada.

No Brasil e em diversos países do mundo, mulheres conduzem ônibus urbanos, rodoviários e escolares; operam caminhões, locomotivas, metrôs, embarcações e aeronaves; ocupam cargos de liderança, engenharia, logística, fiscalização e gestão pública.

A presença feminina deixou de representar exceção.

Passou a representar evolução.

Vivemos uma sociedade que exige profissionais preparados, éticos e comprometidos com resultados. Nesse cenário, homens e mulheres possuem igual capacidade de aprender, liderar, inovar e servir à coletividade.

Minha trajetória profissional sempre foi pautada pela valorização das pessoas.

Ao longo de quase quatro décadas dedicadas ao transporte coletivo e à gestão pública, aprendi que investir em pessoas é o maior patrimônio de qualquer instituição.

Foi esse princípio que norteou minha atuação como Gerente de Operações do Grupo Real Norte, Presidente da Cooperativa de Transportes do Acre (COTA), Superintendente Municipal de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTRANS) e que continua presente no exercício da função de Secretário Adjunto da Secretaria Municipal de Articulação Institucional da Prefeitura de Rio Branco.

Ao longo dessa caminhada, sempre busquei conciliar eficiência operacional, inovação, valorização dos profissionais e respeito às normas legais, entendendo que uma gestão moderna deve ser construída com diálogo, responsabilidade e compromisso com o interesse público.

Recordar essa história não significa apenas revisitar o passado.

Significa reconhecer que avanços sociais acontecem quando alguém decide acreditar no potencial das pessoas antes mesmo que elas tenham a oportunidade de demonstrá-lo.

Tenho orgulho de ter participado desse processo.

Jamais me arrependi daquela decisão tomada em 1992.

Ao contrário, considero uma das experiências mais gratificantes da minha vida profissional.

Que essa história inspire novas gerações de gestores, empresários e líderes a ampliarem oportunidades, derrubarem preconceitos e valorizarem o mérito acima de qualquer outra condição.

Porque não existem profissões destinadas a homens ou mulheres.

Existem pessoas preparadas para cumprir missões com excelência.

E quando competência encontra oportunidade, toda a sociedade avança.

Clendes Vilas Boas
Administrador de Empresas e Bacharel em Direito. Especialista em Jornalismo, Jornalismo Digital e Jornalismo Político. Possui ampla experiência em mobilidade urbana, transporte coletivo, trânsito, gestão pública e articulação institucional. Atuou como Gerente de Operações do Grupo Real Norte, Presidente da Cooperativa de Transportes do Acre (COTA), Superintendente Municipal de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTRANS) e atualmente exerce o cargo de Secretário Adjunto da Secretaria Municipal de Articulação Institucional da Prefeitura de Rio Branco. Sua trajetória é marcada pela defesa da ética, da inovação, da valorização das pessoas e do fortalecimento das políticas públicas voltadas ao desenvolvimento social e à mobilidade urbana.