Rio Branco, AC, 6 de julho de 2026 12:55
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Mobilidade urbana em Rio Branco: mais do que ônibus novos, a Capital precisa de um sistema que funcione

Poucos temas despertam tanta expectativa em Rio Branco quanto o transporte coletivo. Basta anunciar novos ônibus ou prometer melhorias para que a esperança volte a ocupar o ponto de parada junto com milhares de passageiros que, diariamente, dependem do sistema para trabalhar, estudar, cuidar da saúde ou simplesmente voltar para casa.

Na última semana, acompanhei uma agenda do prefeito Alysson Bestene durante a apresentação da nova frota que começará a atender a Capital. Era visível sua empolgação. Mais do que apresentar veículos, ele demonstrava acreditar que aquele momento representava o início de uma nova fase para o transporte público de Rio Branco.

Tomara que seja.

Mas a experiência nos ensina que o desafio vai muito além da renovação da frota.

Para compreender o tamanho dessa missão, é preciso olhar pelo retrovisor. O transporte coletivo da nossa cidade não entrou em crise nos últimos meses. É um problema que atravessa diferentes administrações municipais, mudanças econômicas, aumento dos custos operacionais e uma constante redução no número de passageiros.

Seria injusto colocar toda a responsabilidade sobre quem assumiu recentemente a Prefeitura. Da mesma forma, seria injusto ignorar que a gestão do ex-prefeito Tião Bocalom também buscou alternativas para impedir o colapso do sistema. Houve tentativas de reorganização, negociações e medidas para manter o serviço funcionando. Algumas produziram resultados limitados; outras simplesmente não alcançaram o efeito esperado.

A verdade é que ninguém encontrou, até agora, uma solução definitiva.

Enquanto o debate político buscava culpados, o usuário continuava enfrentando longas esperas, veículos lotados, linhas reduzidas e a incerteza de chegar ao destino no horário.

É justamente por isso que a chegada dos novos ônibus precisa ser encarada como um começo, e não como o fim do problema.

Transporte público de qualidade não se resume a veículos modernos. Significa oferecer pontualidade, segurança, conforto, acessibilidade, linhas eficientes, manutenção permanente, integração entre bairros e um modelo financeiro capaz de manter o sistema funcionando de forma sustentável.

Talvez esse seja um dos maiores desafios enfrentados por qualquer gestor público no Brasil. Como manter um serviço de qualidade quando os custos aumentam continuamente e, ao mesmo tempo, cresce o número de pessoas que optam por motocicletas, carros particulares e aplicativos de transporte?

Não existe resposta simples.

Também não existe solução construída apenas durante campanhas eleitorais ou cerimônias de entrega de ônibus. O transporte coletivo exige planejamento técnico, continuidade administrativa e disposição para enfrentar decisões muitas vezes impopulares.

Alysson Bestene inicia esse novo capítulo com uma oportunidade importante: transformar a esperança gerada pela nova frota em resultados concretos para quem depende do sistema todos os dias.

Se conseguir reduzir o tempo de espera, ampliar a confiabilidade das linhas e devolver dignidade ao passageiro, terá dado um passo significativo para resolver um problema que se arrasta há muitos anos.

Caso contrário, os novos ônibus correrão o risco de representar apenas mais um capítulo de uma história de boas intenções.

No fim das contas, o passageiro não embarca em discursos nem em disputas políticas. Ele embarca — quando o ônibus passa — na expectativa de chegar ao trabalho, à escola ou ao hospital sem atrasos e sem sofrimento.

É essa a verdadeira medida do sucesso de qualquer política pública para a mobilidade urbana.

Porque uma cidade não é moderna apenas pelas obras que inaugura. Ela se torna moderna quando consegue garantir que as pessoas se desloquem com eficiência, segurança e respeito.

Esse continua sendo um dos maiores desafios de Rio Branco.