Rio Branco, AC, 4 de setembro de 2026 18:35
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Queimadas rurais e urbanas: um problema de saúde pública

A chegada do verão amazônico traz o flagelo das queimadas e as suas consequências para a saúde das pessoas. Os esforços dos órgãos ambientais federais, estaduais e municipais para conter essa situação parecem ser consumidos pelas chamas da insanidade provocada pelo desejo de lucro.

O problema das queimadas e da degradação do meio-ambiente não são ideológicos, como alguns políticos gostam de fazer parecer. Na realidade, essa é uma questão de sobrevivência da espécie humana no planeta. A natureza tem mostrado para quem quer ver as consequências dessa degradação insana.

Há dois anos alguns rios do Acre quase apartaram devido a seca. Nessa mesma época eu estive no caudaloso Rio Negro no Amazonas que parecia um Igarapé. Enchentes no Rio Grande do Sul que vitimaram milhares de pessoas e agora, mais recente, uma tragédia na fronteira do Nepal com a China em que milhares de pessoas perderam a vida devido ao derretimento de geleiras.

A verdade é que o Céu e o Inferno propagado pelas religiões é aqui mesmo. Somos nós que optamos por tornar a vida agradável ou turbulenta. Destruir esse mundo para encontrar a felicidade num outro pós morte? Isso me parece uma incoerência enorme. Se não damos conta do tesouro que Deus nos presenteou durante a existência nessa terra vamos reivindicar as bênçãos num outro mundo que nem sabemos como é? Isso não tem lógica.

E o problema maior é que não existe uma luz no final do túnel. Eu tive a oportunidade de participar de uma COP no Azerbaijão e da Semana do Clima de Nova York. Infelizmente o que eu vi foram algumas pessoas que deveriam estar preocupadas verdadeiramente com o “aquecimento global” desfilando vaidades e preocupadas se seriam ou não convidadas para jantares promovidos por magnatas capitalistas.

Como diria o querido Cazuza: “ideologia, eu quero uma pra viver”. Na hora H acaba prevalecendo o ditado popular: “a farinha é pouca, meu pirão primeiro”.

Enquanto isso, ao abrir a janela do apartamento onde eu vivo respiro o cheiro de fumaça com lágrimas literalmente nos olhos provocadas pela poluição e não pela emoção de ver a lua brilhando e as estrelas piscando no céu. Os relatórios têm mostrado que Rio Branco e outras cidades do Acre estão com o ar centenas de vezes mais poluídos do que grandes centros de produção industrial. E setembro mal começou.

Acredito sinceramente que um dos pontos cruciais para quem chegar ao Palácio Rio Branco no próximo ano é a mecanização das terras para a produção agrícola. Sem essa iniciativa não haverá desenvolvimento econômico associado ao bem-estar social.

Se houver um investimento significativo em mecanização de terras produtivas haverá uma economia de recursos necessários para a saúde pública. É uma equação simples.

É possível harmonizar a geração de emprego e renda com a preservação ambiental. Aliás, não só é possível como é essencial se quisermos existir com qualidade de vida. Desenvolvimento é um pacote completo que deve ter como prioridade as pessoas. Não adianta ter um emprego e viver doente com problemas pulmonares gerados pelas queimadas. Ter renda e ver os rios secando inviabilizando o transporte da produção.

A Terra Indígena Puyanawa é uma das maiores produtoras de farinha do Juruá. E lá o Cacique Joel proíbe o uso de fogo na produção. Esse é um exemplo de como a mecanização muda a perspectiva ambiental de um território sem afetar a produção. Os Puyanawa fazem parcerias com a prefeitura de Mâncio Lima e o Governo do Estado para a mecanização e produzem a riqueza para todos.

Essa não deveria ser a exceção, mas a regra. Se o Acre investir pesado na mecanização da sua produção agrícola certamente receberá aportes financeiros tanto dos bancos estatais brasileiros quanto de entidades internacionais. E o pulmão do povo acreano vai agradecer.

Está na hora das pessoas refletirem sobre essa questão fundamental à vida. Terem compaixão pelos seus semelhantes e amor às futuras gerações que vão precisar de uma terra propicia para criarem as suas famílias e darem sequência ao ciclo da vida sem tanto sofrimento.