Faltando menos de um mês para a eleição, o Acre assiste a uma corrida por uma vaga na Assembleia Legislativa marcada por um contraste que diz muito sobre a política brasileira: de um lado, candidatos que passaram quatro anos guardando dinheiro só para gastar nesta campanha, alguns com até vinte milhões de reais disponíveis para o dia do pleito; do outro, pessoas com ideias, com trabalho de base, com projetos reais para o estado, mas sem a mínima estrutura financeira para competir em pé de igualdade.
O jogo é bruto. E é preciso dizer isso com todas as letras.
Muitos candidatos de primeira viagem entraram nesta disputa apostando nos recursos do fundo partidário e do fundo eleitoral, o chamado “fundão”, esperando que esse dinheiro chegasse para viabilizar suas campanhas. Boa parte se frustrou. A realidade do financiamento eleitoral no Brasil segue concentrando recursos nas mãos de quem já tem estrutura, nome consolidado ou apoio de grandes legendas — deixando à margem justamente quem chega com propostas novas e vontade de servir, mas sem capital para investir.
Decidi não ser candidato nesta eleição. Sei, com clareza, que não teria a mínima chance diante de adversários que constroem sua candidatura com anos de planejamento financeiro. Reconhecer essa realidade não é desistir da política — é entender as regras de um jogo que, do jeito que está desenhado hoje, favorece muito mais quem tem caixa do que quem tem causa.
Uma campanha fraca em todo o estado
Percorrendo os regionais do Acre, o que se vê é uma campanha para deputado estadual visivelmente fraca. Faltando menos de um mês para a votação, o índice de eleitores indecisos ainda é alto. Muita gente simplesmente não sabe em quem vai votar.
E é aqui que mora o verdadeiro divisor de águas desta eleição: quem tiver base eleitoral consolidada, quem tiver um grupo político forte e enraizado nos municípios, vai levar vantagem — independentemente do tamanho do caixa de campanha. Muitos candidatos que estão com muito dinheiro disponível vão fraquejar e vão perder a eleição. Ponto. Porque dinheiro compra impulsionamento, santinho, carro de som — mas não compra, sozinho, a confiança que se constrói com anos de trabalho junto à comunidade.
A pergunta que fica
Diante desse cenário — de candidatos endinheirados sem enraizamento popular, e de candidatos com propostas legítimas sem estrutura para competir — resta uma pergunta que cada eleitor acreano precisa responder antes do dia da votação:
E você, eleitor, já decidiu o seu voto para deputado estadual? Ou ainda está entre a indecisão e a desconfiança de que, mais uma vez, o dinheiro vai falar mais alto que o voto consciente?
O tempo para decidir está acabando. E a decisão de cada um vai definir se o próximo deputado eleito representará, de fato, quem trabalha pelo Acre — ou apenas quem teve mais para gastar.





